DISCURSO PROFERIDO POR DR. ARAÚJO NO ATO DA POSSE COMO VICE-PREFEITO

É com muita alegria, regozijado, contaminado pelos galanteios e sentimentos fraternos que comemoro, neste instante, o ato de posse como vice-prefeito reeleito e vivenciando os quarenta anos de vida pública. Fui, em 31 de janeiro de 1977, empossado como Prefeito eleito após uma vitória expressiva, acachapante e jamais superada. Votaram 1.499 eleitores e eu obtive 1.109 votos. Foram muitas lutas memoráveis e mágoas que enfrentei, mas é muito mais fácil falar das vitórias, cujas lições ainda permanecem e servem de equilíbrio para coroar os embates civilizados na praça pública. Todos esses anos foram dedicados a minha terra, ao meu povo e repleto de ufanismo. Afirma Mia Couto, escritor moçambicano: “o bom do caminho é haver volta”. E eu voltei porque deixei marcas indeléveis na estrada.

Tenho a honra de ser filho desta terra e ter passado por todos cargos eletivos. Duas vezes Vereador, duas vezes Vice-Prefeito e duas vezes Prefeito. Houve também duas derrotas nesse período. Uma para Vereador e outra para Prefeito. Ambas com vitórias asseguradas.

Orgulho-me também porque nesse cenário político nacional contaminado pela podridão de roubalheira, corrupção, surrupiadores do patrimônio público,  jamais compartilhei com acordos espúrios para driblar o meu povo e, conseqüentemente, macular a minha terra. Não esqueçamos que a ilicitude é pecaminosa, é execrável, é abominável, deixando estigma de vulnerabilidade da imagem, da honra, do caráter  e da integridade moral e ética. Portanto, longe dos malfeitores que inescrupulosamente criaram uma crise moral para o país, sem precedentes, provocando nefastos comprometimentos da vida pública ao ponto de alguns segmentos sociais pedirem retorno da intervenção militar.

A seriedade sempre foi minha companhia. Nunca tive a ousadia de usar o revanchismo, por considerar maléfico e desairoso. Não é do meu estilo de vida pisotear a dignidade e a honradez de quem quer que seja.

Devemos cumprir religiosamente a missão institucional de defender os interesses do município e dos munícipes como um todo. Temos também o objetivo de ressaltar a forma legal e transparente com a gestão pública. O professor, bacharel e mestre em Filosofia, João de Melo Neto, diz: “costuma-se apontar a corrupção como uma das maiores mazelas da sociedade brasileira. …a opinião pública tem como alvo favorito de críticas a classe política”. Devemos nos orgulhar, Dra. Fatima, não só da nossa maioria expressa em votos, e, sim, a nossa gestão não está inserida neste contexto indecoroso. Não se envergonhe de andar de cabeça erguida.

Nessa oportunidade, reafirmo enfaticamente, que continuarei colaborando com o bem estar político, social e ético. Conheço em profundidade todos os problemas da minha terra. Nunca é demais professar que permanecerei com a mesma seriedade, sem usar ingerência e sem intromissão. Também repito que nunca foi do meu feitio ameaçar ou desafiar lideranças. Isso é exatamente embasado na experiência dos meus quarenta anos de vida pública, quando me reporto que o vento traz e o vento leva, o vento leva e o vento traz. Quero, com muita humildade, dizer-lhes, neste instante, invocando Deus e os homens e as mulheres de bem da minha terra, que em qualquer momento que necessitar da minha participação, estarei apto para contribuir e proporcionar o melhor para o meu povo. E isso procurei fazer!

Esse é um juramento fundamentado numa grande lição de um pensador que diz: “…o ego inflamado é demasiadamente penoso. Então, para evitar, é ideal ouvir aos moucos, escutar os sons mais sutis e saber ouvir o silêncio”. Esse é o caminho que trilho para errar menos. É muito importante também dialogar com todos os seguimentos, ter a capacidade de discernimento para com sabedoria distinguir o bem do mal e pensar no amanhã que se avizinha já que tudo é efêmero.

Temos, portanto, de ficarmos impregnados, imbuídos desses sentimentos e desses propósitos porque esse não é um poder infinito.  E o “Eclesiastes” diz que tudo tem a hora. Lembro que esse brilho é raro eternizar-se e mais difícil é ficar reluzente para sempre. Em geral ofusca-se, vai  esmaecendo inexoravelmente ou de modo     abrupto,   de chofre, desaparece. E o que resta são lembranças, são saudades, às vezes lágrimas correndo no rosto solitário e o desejo de voltar impedido pelo descrédito do povo.

E para refrescar a memória, considero necessário e oportuno reportar alguns fatos, algumas historias da vida política, pertinentes aos homens que exercem, que se dedicam a essa atividade prazerosa e alucinante para uns e sacrificante e desastrosa para outros. Basta lembrar que na vida pública se encontram muitas coisas pitorescas. Às vezes agressivas, outras maliciosas, algumas insidiosas, indecentes, indelicadas, mal educadas, sem primazias, despidas de elegância, de esmeros e também outras recheadas de alfinetadas sutis e virulentas. São essenciais à vida pública? E os mexericos?  Muito bem desempenhados pelos fofoqueiros. É uma peça indispensável neste contexto? Os fofoqueiros não medem as conseqüências. Adoram o absurdo, as picuinhas e o desequilíbrio da harmonia social. Tentam tirar o brilho dessa união saudável para Ouro Branco onde se preserva até hoje o consenso. Numa sociedade simples a opinião pública forma-se através de conversas.

Tenho uma vida profissional e pública totalmente dedicada a minha terra. São muitos e muitos anos de pastoreio sem férias. E aqui me encontro estigmatizado pelo meu trabalho contínuo, ininterrupto, atendendo pessoas, sem discriminação, reconhecidos por uns ou não compreendido por alguns, curando doenças, selando diagnósticos precisos, aliviando dores, prorrogando ou salvando vidas nos momentos de aflição e de agonia. Sou uma sentinela permanente. Esse é o refrão de uma canção popular que muito me emocionou. Mas no coração do povo da minha terra já tem gravado a frase: a dor não cor e nem tem partido. Mas qual o filho desta terra que não passou por essas mãos nestes quarenta anos do meu abnegado serviço? Unicamente fazendo o bem. Quem mais se prestou um majestoso serviço dessa envergadura? Mas não foi somente esse legado que deixo ao município.

São inúmeros e todos de grandiosos alcances sociais. Em 01 de janeiro de 1993, deixei nos cofres da Prefeitura a importância de Cr$ 136.102.885,47 (cento e trinta e seis milhões, cento e dois mil, oitocentos e oitenta e cinco cruzeiros e quarenta e sete centavos), conforme documentos oficiais. Pretendia construir três açudes no município, inclusive o Açude Esguicho, vinte poços amazonas, casas populares, remanejamento no orçamento para construção  da passagem molhada no Rio Quipauá, mas infelizmente fui impedido por denuncia vazia, feita na Câmara Municipal, na sessão de 02 de setembro de 1991, conforme “Comunicado” lido e me denunciando ao Ministério da Ação Social, sendo conseqüentemente estendido  aos Tribunais de Conta da União e do Estado. Recebi, com muita honra, após dois anos engessado sem poder realizar nada, aprovação dos referidos Tribunais. Tem ainda dois fatos importantíssimos para vida do município que ficaram esquecidos. Ninguém fala. Vou lembrá-los.

Primeiro foi eu ter conseguido através do Secretário de Justiça do Governo Geraldo Melo, o Sr. Wanderley Mariz, elevar Ouro Branco, de Termo Judiciário para Comarca,  e, até hoje, não foi implantada a lei, segundo documento em anexo. Possivelmente em decorrência de forças ocultas,  a exemplo da instalação da primeira feira-livre e a criação do município, inúmeras vezes obstacularizadas.

A outra, foi eu ter evitado que o Açude Esguicho fosse desmoronado, em 04/01/2004, em decorrência de um fatídico  transbordamento, cujo sinal de alarme foi dado por mim numa entrevista na Rádio Rural de Caicó, no programa de Djalma Mota, em 26 de janeiro de 2004. Eu advertia que a parede do açude se encontrava desnivelada, com uma diferença entre as ombreiras  de 1,80 metros,   o sangradouro não tinha profundidade e nem largura suficientes para dar passagem as águas do rio “Barra Nova”. Em síntese, a construção do açude não se encontrava dentro dos padrões técnicos,  totalmente irregular e desviada do projeto original. Foi salvo pela construção emergencial do sangradouro acessório.  Há quem diga que foi um dos maiores legados da minha vida pública.

Digo a todos que ainda não cansei. Também por estar próximo da longevidade, mas ainda sinto-me fortalecido, não tenho programação para deixar a vida pública, a não ser que o povo me abandone e não reconheça a minha luta.  Mas também enfatizo que não estarei para provocar e nem criar desafetos. É normal líder divergir, descordar e não ficar silente ou cabisbaixo ou aceitar o contraditório. Deplorável é não ter posição definida e trair os princípios éticos.

Já sinto aquela confiança esboçada na face dos conterrâneos.  E a juventude de mente sadia vai um dia reconhecer a minha história muitas vezes esquecida ou destorcida pela maldade. Somente o tempo é o referencial e o testemunho de minha inigualável qualidade que impecavelmente estigmatizam meu amor, minha dedicação, minha lealdade por esta terra e por este povo.  Indiscutivelmente, a historia será o grande tribunal para julgar a minha vida, a sua vida e finalmente, a vida de todos nós.  E, conseqüentemente, a partir dos fatos históricos, valores que são eternos e significativos, contribuirão para a formação de um povo.

Meus cabelos grisalhos mostram não somente a minha dignidade mais me outorga o livre arbítrio de poder penetrar em quase todos os lares ourobranquenses.  Enfatizo, aqui sinto-me como se fosse o céu. Adoro possuir uma residência na aba da Serra do Poção. E é lá que aflora incessantemente na lembrança as vivas imagens da felicidade. Primeiro porque me preparo para viver mais por ficar sempre assuntando o horizonte trazendo aquela paz interior nutrida na contemplação da beleza.  E depois, a natureza em suas inspirações mais límpidas e amáveis, me ébria e se torna salutar, “ouvindo o latido de algum cão insone, do mugido solente do gado à espera da cantiga do galo e da ordenha de todas as manhãs, como também o cântico monocórdio, o coachar, mais abençoado da saparia que abraças se multiplicam; do pio lúgubre, trêmulo do frio da tresmalhada coruja molhada da chuva.

Recordo-me do silencio dos descampados de onde vem o marulhar das marolas naquelas noites serenas; dos cardumes de peixe comendo e vadeando nas águas ribeirinhas dos córregos e riachos dos açudes de onde suas represas esgueiram-se em margens contorcidas após uma noite de invernada; das nuvens de marrecas rasgando o céu e das nuvens de chuva com seus desenhos cheios de silhuetas inimitáveis; lembro também das garças branco-noivo fazendo a alvura da solidão; do mergulhão fazendo espetáculo nos céus riscando em rasantes vôos o espelho das águas à procura de suas presas”; da revoada das aves de arribaçãs atormentadas pelo medo da captura; da bebida das asas brancas e juritis que procurando bebedouro são perseguidas e cruelmente dizimadas; do canto encantador da passarinhada ao quebrar da barra.   Enfim, concluo confessando-lhes com lisura e com ternura: “Não posso te dar a Serra do Poção. Mas posso molhar tuas mãos com lágrimas que umedecem as rosas que cobrem minha alma”. Felicidades para todos.

Discurso proferido no dia   01/01/2017 por Dr. Araújo.

ANTIGO MERCADO PÚBLICO

O antigo mercado público de Ouro Branco foi construído no final da década de 1920, na gestão do então prefeito de Jardim do Seridó, Dr. Heráclio Pires Fernandes. Funcionou até os primeiros anos da década de 1960 quando foi demolido. No local foi construída a praça Aluízio Alves.
Os primeiros comerciantes do antigo mercado público foram os seguintes: do lado sul (em frente à casa de Pedro Bitico), Solon Cirilo de Azevedo, Severino Lourenço, João de Quilidona e Pedro Galvão, do lado norte (em frente à bodega de Nailton Medeiros), ficavam os comércios de Manoel Frederico, Chico Zuza (bodega e armazém) e Zé Cariri. Todos os comércios eram bodegas, exceto o comércio de Pedro Galvão que vendia tecidos.
O atual mercado público começou a ser construído no ano de 1958, na gestão de Manoel Nogueira do Nascimento.

FONTE: LIVRO “OURO BRANCO: DE 1722 A 1954”.

PLANTIO DE ALGODÃO RESISTE À SECA E É ALTERNATIVA DE AGRICULTORES NA PARAÍBA

Em tempos de seca, o plantio de algodão pode ser uma boa saída para os agricultores paraibanos. Uma parceria entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural  (Emater) e os agricultores tem tornado o plantio de algodão mais resistente e lucrativo no Estado, garantindo colheita em tempos de pouca chuva, em que outras culturas não estão rendendo bem.

Na cidade de Gurinhém, no Agreste paraibano, a Emater tem incentivado os agricultores ao plantio de algodão prestando consultorias e oferecendo treinamento. O investimento tem dado retorno. Em 2016, por exemplo, a agricultora Maria das Graças plantou milho, feijão, fava e algodão. De todas as culturas a mais resistente e que rendeu mais foi a de algodão.

“O algodão resistiu ao sol mais que os outros. Os outros eu colhi pouco, cinco ou seis sacas de milho. Feijão deu só uma saca. O que mais fiz foi o algodão”, disse ela.

Com o bom resultado, outras famílias de agricultores do município já estão preparando o roçado para o próximo plantio, este ano. O produtor rural Dionísio Oliveira teve bons lucros em 2016 e já quer plantar algodão novamente. “Eu plantei um hectare e colhi 853 quilos de algodão”, disse ele.

De acordo com a técnica da Emater, Angélica Cassia, o trabalho dos agricultores em parceria com a Emater tem dado certo. “Eles se sensibilizaram, aceitaram a propostas, aceitaram as técnicas de trabalhar com defensivos naturais, pensando no melhor para o meio ambiente. Tivemos o plantio do algodão consorciado com feijão, milho, fava e as barreiras de gergelim para evitar que as pragas viessem mais rápido para o plantio. Quase não tivemos incidência de bicudos e eles [os agricultores] tiveram uma safra muito favorável”, contou ela.

O algodão marcou a história econômica de Campina Grande, no Agreste paraibano, durante o século 20. O produto era bem exportado e chegava a ser chamado de “ouro branco”. Segundo a Emater, em 2016 foram produzidas 15 toneladas de algodão na região e vendidas para indústria têxtil de João Pessoa.

Com esses primeiros novos resultados, o diretor técnico da empresa, Wlamike Paiva, faz planos para exportar algodão, ampliando também a área de plantio e distribuição de sementes para os produtores paraibanos.

“Estudamos e encontramos um mercado muito promissor e aí a gente colocou os agricultores para discutir com esse mercado. Então os representantes da empresa vieram discutir e isso foi muito importante. Através dessa discussão surgiu um contrato de compra e venda com preço justo”, explicou ele.

Ainda em Gurinhém, pelo menos 17 famílias já se preparam para o plantio de algodão em 2017. “A gente espera que este ano o plantio de algodão melhore. A gente tem mudas, produtores e terras para o plantio de algodão”, disse o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais local, Marinaldo da Silva.

FONTE: G1/PB