ATINGIDO EM CHEIO

 

Moreira Franco, ministro da Secretaria-geral da Presidência (PMDB): investigado por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro; Michel Temer, presidente da República (PMDB): não será investigado porque tem imunidade temporária; Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil (PMDB): investigado por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro (Carolina Antunes/PR/VEJA)

A definição antológica da relação da Odebrecht com o governo – qualquer governo – veio da boca de Emílio Odebrecht. Disse ele, referindo-se aos presidentes Lula, Hugo Chávez (Venezuela) e José Eduardo dos Santos (Angola): “Eu nunca tive com eles uma relação só de empresa. Sempre procurei ter com qualquer autoridade, principalmente nesse nível, uma preocupação voltada para os interesses do país e os interesses deles como chefes de governo.” O grupo político do presidente Michel Temer, ora no poder, bebeu com gosto nessa fonte.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo, mandou abrir inquéritos contra oito dos 28 atuais ministros, entre eles Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral), os principais auxiliares de Temer. O inquérito contra os ministros não será concluído tão cedo, mas o desgaste político do governo é imediato – e caiu como uma bomba. Temer procurou mostrar serenidade e passar a impressão de que o governo continua a operar normalmente. Mas o material das delações revelado até agora não deixa dúvida: um cataclismo desponta no horizonte dos atuais ocupantes do poder.

Fonte: veja.com

LULA: NUNCA A PRISÃO ESTEVE TÃO PERTO

 

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente (PT): será investigado em seis procedimentos no STF e na Justiça Federal do Paraná (Jefferson Coppola/VEJA)

Com os presidentes da República, a relação da Odebrecht tinha uma natureza especial – era a partir da proximidade com eles, afinal, que os negócios se desenvolviam com maior ou menor grau de sucesso. Não por acaso, seis dos presidentes do Brasil desde a redemocratização foram lembrados nos depoimentos prestados na delação do fim do mundo. Uns mais, outros menos. O caso de Lula é, sem dúvida, o mais constrangedor. Se os executivos da Odebrecht contaram a verdade, o petista foi capturado pela empreiteira. Se o que Marcelo Odebrecht disse for confirmado, Lula pode vir a ostentar o título de presidente mais corrupto da história – um mandatário que se submetia ao papel de marionete nas mãos de empresários e, em contrapartida, se locupletava do poder com dinheiro oriundo de esquemas de corrupção. O Lula que emerge das delações é um político pequeno, que não hesita em receber favores e presentes de empresários, inescrupuloso e capaz de ações ousadas quando o problema envolve poder e dinheiro.

As seis petições contra Lula enviadas pelo ministro Edson Fachin à primeira instância (leia-se juiz Sergio Moro) encorpam uma ficha extensa: Lula é réu em cinco processos, acusado de ter praticado os crimes de lavagem de dinheiro (211 vezes), corrupção passiva (dezessete vezes) e tráfico de influência (quatro vezes), além de organização criminosa e obstrução da Justiça. No próximo 3 de maio, Lula vai prestar depoimento a Moro, no primeiro encontro frente a frente entre os dois. A prisão preventiva é um risco cada vez mais real. Caso ela ocorra, o ex-presidente e o PT já têm um plano para transformar a eventual prisão em um espetacular ato político destinado a incendiar a militância.

Fonte: Veja.com