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CAPELA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

Com o crescimento populacional e, principalmente, econômico do povoado do Espírito Santo, começa a surgir a ideia da construção de uma igreja que representaria e expressaria no campo religioso, naquele momento, o que a feira já estava representando no campo econômico e social para o povoado. É bom informar que após analisarmos milhares de registros de casamentos e batizados desde 1856, quando foi criada a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Jardim do Seridó, constatamos que a maioria esmagadora da população das fazendas e sítios aqui de Ouro Branco, realizava seus casamentos e batizados nos oratórios particulares das próprias fazendas e sítios. Sendo o oratório da fazenda do Espírito Santo, que ficaria mais tarde conhecido como “Casa da Oração”, o mais conhecido e que desde 1800 já  realizava batizados e casamentos.

Casa sede do Espírito Santo – Casa da Oração

No ano de 1866 há um assentamento de casamento referindo-se ao “oratório público do Espírito Santo”, já não morava mais ninguém na casa sede, servindo somente a celebração de casamentos e batizados.

Em 1904 é celebrado o último casamento na Casa da Oração, sendo que depois de deixar de ser o lugar onde eram realizados casamentos, batizados e confissões, a Casa da Oração serviu novamente como morada no decorrer do século XX. É bom informar que a partir de 1908 os casamentos e batizados são realizados numa capela improvisada no local onde foi construído o cemitério. Abaixo, assentamento de batizado realizado na capela do Espírito Santo localizada no cemitério Público:

“Francisco, filho legitimo de Martinho Gomes Correia e de Luzia José de Medeiros, nasceu aos trinta de Março de mil nove centos e oito e foi por mim solemnimente baptizado na Capella do Espírito Santo, aos onze de Abril do dito anno, foram padrinhos: João Alves Correia e sua mulher Severina Lopes de Figuereido. De que para constar mandei fazer este assento, que asigno.

Conego Cavalcanti Pro- Parocho

Também existia os oratórios particulares do povoado, principalmente, o de Delmiro Monteiro.

Entretanto, era necessária a construção de uma capela a altura do progressista povoado para atender a demanda de casamentos e batizados do povoado, não somente das fazendas circunvizinhas, mas, principalmente, do crescente número de moradores da área urbana do povoado, além, é claro, da assistência espiritual que muito carecia os moradores.

Com a escolha do local já determinado, pois João Melchiades de Oliveira (avô de Tarcísio Melchiades, Terezinha e Zeca Olegário, entre outros), dono de terras no sítio Espírito Santo, doou o terreno para a construção da capela, o Monsenhor Francisco Severiano de Figueiredo então benzeu a pedra fundamental da futura capela do Divino Espírito Santo em 21 de dezembro de 1916, como consta no Livro de Tombo da Matriz do Divino Espírito Santo. No entanto, a construção somente começou em 1917, terminando também nesse mesmo ano. Foi um trabalho árduo e difícil, mas contou com a colaboração de todos os moradores do povoado (as mulheres e crianças carregavam a areia, barro e pedras em cuias de cabaça e esteiras de palha) que em trabalho de mutirão conseguiram concluir (levantaram as paredes e cobriram) a capela do Divino Espírito Santo.

O tenente Manoel Cirilo foi informado por Zuza Onofre (José Onofre de Lucena), pai de Chico Zuza, da existência de pés de brejuí, madeira muito resistente e comprida, na Serra do Tronco, pois Zuza Onofre, por causa da seca de 1915, passou uma temporada nessa região escapando gente e gado, e conhecia bem a área que informou ao tenente Manoel Cirilo. Tendo essa informação, tenente Manoel Cirilo coordenou os trabalhadores que ficaram encarregados de cortar a madeira para ser usada na cobertura da capela na Serra do Tronco – até hoje existe uma clareira na Serra do Tronco, que segundo os moradores mais velhos de uma localidade perto de lá, essa clareira fica no local onde a madeira para a cobertura da capela do Divino Espírito Santo foi retirada -, em Serra Negra do Norte.

O mais complicado foi trazer toda essa madeira em quinze carros de bois da Serra do Tronco até Ouro Branco. Foi uma verdadeira operação de guerra, mais que sob o comando do tenente Manoel Cirilo, tudo terminou dando certo. Quando chegaram aqui no povoado, os carros de boi foram enfeitados com tiras coloridas antes de entrarem no povoado com a madeira e houve muita festa com muitos foguetões explodindo no céu. É importante informar que a capela do Divino Espírito Santo não ficou totalmente pronta, porque somente no ano de 1929 aconteceu à caiação externa e interna das paredes, o frontispício foi feito juntamente com o patamar, o altar-mor, o coro, a calçada de ambos os lados e a troca das portas por outras melhores.

É bom informar que a festa do Divino Espírito Santo, padroeiro de Ouro Branco, já existe desde a fundação do povoado em 1905. A missa da festa era celebrada no dia de São Francisco. A festa social só foi implantada após a construção da capela em 1917, influenciada por alguns moradores do povoado, entre eles, Dedé Cirilo, filho do tenente Manoel Cirilo, que participaram de uma festa religiosa em Currais Novos e trouxeram a idéia para cá.

No dia quatro de novembro de 1924, o povoado de Ouro Branco recebe a visita pastoral do então Bispo de Natal, Dom José Pereira Alves.

No mês de junho de 1928, é fundado o centro de catecismo do povoado de Ouro Branco, ajudando assim na catequização dos moradores locais. Thomaz Medeiros e Olindina Dantas foram os primeiros coordenadores.

Com a visita do primeiro bispo diocesano de Caicó, Dom José de Medeiros Delgado, em 1946, ele já tinha visitado Ouro Branco em 1942, o mesmo ficou hospedado na casa de Delmiro Monteiro da Silva, tesoureiro da capela. Ele verificou que a vila já estava bastante crescida e a capela do Divino Espírito Santo teria que se modernizar para está à altura da vila, como também, ele percebeu que não demoraria muito para que a vila conseguisse sua emancipação política e administrativa, então ele teve a idéia (após conversar com alguns moradores) de construir a torre que começou a ser construída já no mesmo ano de 1946 sob a administração do Padre Aloísio Rocha Barreto (Delmiro Monteiro e outros moradores mais abastados doaram boa parte do dinheiro, também foram realizados leilões) e foi inaugurada em 12 de junho de 1947. Zé Izaías, naquele tempo era pedreiro, foi quem coordenou os trabalhos de execução da planta que foi elaborada pelo marceneiro caicoense Valeriano Morais. No dia da inauguração da torre, Dom José Delgado deu também a idéia da construção do mosaico que foi levado a cabo também pelo Padre Aloísio Rocha Barreto. A inauguração do mosaico aconteceu no ano de 1949 sendo que o primeiro caminhão com os mosaicos chegaram no mês de agosto de 1948. Ao todo foram usados 300 metros de mosaico comprados na empresa Justino e Cia, de Natal.

Dom José Delgado

Dom Adelino

Em 1957, já sob a administração de Padre Ernesto da Silva Espínola, porque o Padre Aloízio por motivos de saúde afastou-se em 1956, foi construído o forro de estuque da nave central da igreja. No ano de 1963 foi feito o forro das laterais da igreja e a limpeza da mesma.

Pe. Aloísio

Pe. Ernesto

Até o Concílio Vaticano II (1962-1965), todas as missas eram celebradas em latim, mas com as mudanças ocorridas decorrentes do mesmo concílio, as missas deixaram de ser celebradas em latim para serem rezadas na língua de cada país, como também, os padres que antes ficavam de costas para os fiéis passaram a celebrar as missas de frente para os mesmos, sendo necessário assim, a confecção dum altar de madeira em forma de mesa que foi feita em Jardim do Seridó pelo marceneiro Gelásio Cunha. Esse novo altar chegou a Ouro Branco no dia 25 de fevereiro de 1968.

Entre os anos de 1985 e 1986 houve mais uma reforma na igreja, sendo dessa vez construída a laje de concreto e a escada de cimento, antes eram de madeira, demoliram dois quartos que havia na igreja para criar mais espaço, amarração das paredes que estavam trincadas, abertura de portas nas laterais, onde antes eram as janelas, e a compra dum sacrário de metal em substituição ao de madeira.

Em 1995, o Padre Joaquim José de Oliveira fez também uma grande reforma, principalmente, no teto da igreja.

Em 18 de maio de 1997 foi criada a paróquia do Divino Espírito Santo, até então capela do Divino Espírito Santo pertencente à paróquia de Jardim do Seridó.

Capela do Divino Espírito Santo
(sem torre)

Capela do Divino Espírito Santo
(com torre)

FONTE: LIVRO “OURO BRANCO: DE 1722 A 1954”.

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5 comments for “CAPELA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

  1. 23 de dezembro de 2016 at 19:52

    Resgatar a nossa história, Pe. Carlos Henrique, é o foco principal do nosso blog.

  2. Pe. Carlos Henrique
    23 de dezembro de 2016 at 10:23

    Parabéns Fabrício, uma das coisas que eu mais ansiava quando cheguei aqui em 2008 era como resgatar as raízes históricas de nossa comunidade. E outras pessoas também como Dr. Araújo. E você teve a coragem e a dedicação de nos oferecer este enorme presente que é o seu livro. Já aguardamos ansiosos pela continuação do mesmo. Deus abençoe sua vida e multiplique seus talentos.

  3. 22 de dezembro de 2016 at 12:46

    Parabéns camarada, esperamos por outras postagens.

  4. francisca eunice de lucena
    22 de dezembro de 2016 at 11:17

    parabéns josé fabrício de lucena seu trabalho é maravilhoso e de grande valia.

  5. Reinaldo
    21 de dezembro de 2016 at 19:35

    Parabéns Fabrício

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